Por que startups morrem?

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Há, no ambiente das startups, quase um mantra, em que acredita-se que o aprendizado a partir do erro seja bem mais eficaz do que a simples repetição dos acertos.

Para ter um retrato definitivo e embasado sobre as principais causas de fracassos em startups, a Fundação Dom Cabral elaborou um estudo sobre as principais causas de mortalidade das startups no Brasil.

Esse estudo foi feito investigando características de startups partindo da análise do empreendedor e das características das empresas e do ambiente de negócios no momento da criação das startups investigadas.

Antes de partir para a análise do estudo, vale ressaltar a forma como o empreendedor brasileiro, em média, encara a possibilidade de erros e fracassos, foi um grande obstáculo narrado pelos estudiosos para a realização desse estudo: os empreendedores brasileiros que tiveram suas empresas descontinuadas se escondem atrás de uma cultura de intolerância ao fracasso e deixam com que o insucesso seja desestímulo suficiente para o empreendedorismo em série no Brasil. 

A não aceitação do fracasso, além de ser uma barreira cultural ao desenvolvimento empreendedor no país, parece gerar um gap de conhecimento com relação às causas de mortalidade dessas empresas no Brasil.

Sobre o estudo

Em termos de tempo de sobrevivência das startups brasileiras, a análise mostra que, no Brasil, pelo menos 25% das startups morrem com menos de um ano, 50% morrem com 4 anos ou menos, e 75% são descontinuadas com 13 anos ou menos de existência.

Número de sócios é um ponto que gera muita discussão, tanto na hora de se criar uma startup, quanto nas análises das possibilidades de sucesso ou de fracasso desses empreendimentos. 

Há um pensamento de que o envolvimento de mais de um sócio na concepção da empresa representaria maior acúmulo de habilidades indispensáveis

para a gestão do negócio e geraria maior credibilidade diante de clientes e prospects, o que consequentemente aumentaria seu potencial de sucesso. 

A pesquisa demonstra, refutando essa ideia, que quando a startup é composta desde o seu início por mais de um sócio, maiores são as suas chances de descontinuidade. Segundo o estudo, a cada sócio a mais trabalhando em tempo integral na empresa no momento em que ela foi constituída, a chance de descontinuidade da startup aumenta em 1,24 vezes.

A pesquisa também estudou os efeitos da quantidade de capital investido na sobrevivência das empresas. Por mais que possa parecer surpreendente, o estudo mostrou que investir uma grande quantidade de capital na startup antes de que ela comece a faturar, aumenta as chances de insucesso da empresa. 

Para essa conclusão, o estudo comparou três situações distintas:

  • Empresas que, antes de começar a faturar, possuíam capital suficiente para manter seus custos operacionais por apenas 1 mês;
  • Empresas que, antes de começar a faturar, possuíam capital suficiente para manter seus custos operacionais pelo período de 2 meses a 1 ano;
  • E empresas que, antes de começar a faturar, possuíam capital suficiente para manter seus custos operacionais por mais de 1 ano.

O segundo cenário é o mais preocupante. Quando o capital investido nas empresas cobre seus custos operacionais pelo período de 2 meses a 1 ano, a chance de descontinuidade das startups é 3,2 vezes maior do que startups cujo capital investido mantém seus custos operacionais por apenas um mês, e 2 a 2 vezes e meia maior do que as com capital para manutenção de custos por mais de um ano. 

A pesquisa também trata da influência de uma aceleradora ou de uma incubadora no sucesso da startup. Segundo o estudo, a chance de insucesso de uma startup instalada em alguma dessas instituições é mais de três vezes menor do que uma instalada em escritório próprio ou alugado. Vemos aqui o quanto é fundamental uma mentoria e um monitoramento adequados.

Fica claro como estar instalada em uma aceleradora, incubadora ou em um parque tecnológico representa um fator de proteção para a sobrevivência da startup, se comparado com as que estão instaladas em escritório próprio, loja ou sala alugada.

A partir dessa pesquisa, e baseado em seus resultados, o estudo chega à conclusão que, para minimizar a possibilidade de descontinuidade de uma startup, ela deve atentar, entre outros aspectos, ao que segue:

  • Quanto menos sócios, melhor;
  • Quanto menos capital, melhor;
  • Aproveite os parques tecnológicos, as incubadoras e as aceleradoras.

É claro que essas sugestões são baseadas nos resultados estatísticos obtidos pela pesquisa. Obviamente há casos de startups que, mesmo não seguindo nenhuma dessas dicas, estão em rotas sólidas de crescimento. 

Pesquisas dão retratos situacionais de momentos e cenários, não são verdades absolutas. Qual a sua opinião sobre essa pesquisa? Há algum outro aspecto que você conheça que influencie na sobrevivência (ou não) de uma startup?

Artigo autoral: Paulo Albuquerque, equipe IBTI.

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